Duas procissões marcam a celebração na Cidade Velha e em Canudos
Tapete de serragem colorida no bairro da Cidade Velha e rosas vermelhas no de Canudos marcaram a passagem da Hóstia Consagrada na festa de Corpus Christi (Corpo de Deus). A procissão em Canudos, que reuniu três homenagens ao mesmo tempo, levou mais de 30 mil católicos para as ruas do bairro.
As duas principais procissões de Corpus Christi em Belém começaram no mesmo horário, às 8h30. Na Cidade Velha, o arcebispo metropolitano de Belém, dom Orani João Tempesta, presidiu a missa cantada, celebrada em ritos solenes e seguida de uma procissão que percorreu a distância entre as Igrejas do Carmo e das Mercês.
O asfalto da frente da Igreja do Carmo foi revestido de serragem colorida para a passagem do ostensório, utensílio litúrgico onde os católicos adoram a Hóstia Consagrada, considerada o próprio Corpo de Deus, assim transformado das espécies do vinho e do pão durante rito de consagração da missa. A procissão da Cidade Velha reuniu parte do clero, religiosos, seminaristas e diáconos. Foi a procissão oficial. A missa que a precedeu contou com a co-presidência de dom Vicente Zico, arcebispo emérito de Belém. Cantos em latim e em português, incenso e leituras cantadas deram um clima de celebração tridentina, com ares medieval, sob as ordens do cerimonialista padre Gonçalo Vieira, cura da Sé. Cerca de mil fiéis decidiram acompanhar a caminhada até a Igreja das Mercês.
Se o tom de solenidade oficial marcou a procissão nas ruas da Cidade Velha, a alegria, cantorias festivas e exortações, em meio a muitas homenagens, marcaram a marcha nas ruas de Canudos. A procissão encerrou o calendário das festividades de Santa Rita de Cássia, padroeira da paróquia, juntamente com São José de Queluz. Os fiéis fizeram, portanto, festa para Corpus Christi, Santa Rita e para os freis e irmãos da congregação dos agostinianos recoletos, administradora da paróquia há 50 anos. E ainda conduziram, na procissão, a imagem de Nossa Senhora da Consolação, padroeira da congregação.
O frei João Antônio, titular da Paróquia de São José de Queluz, conduziu o hostensório no primeiro dos três carros presentes na procissão. Era uma barca ornamentada com flores brancas. O frei fez questão de salientar que a festa era de Corpus Christi e a Ele deveria estar voltada toda a atenção, numa atitude de adoração. Assim, as veneradas imagens de Santa Rita e Nossa Senhora da Consolação foram ícones secundários na procissão.
A barca que conduziu a imagem da padroeira estava toda ornamentada com rosas vermelhas. Também os fiéis levaram em suas mãos rosas vermelhas, símbolo da veneração à 'Santa das Causas Impossíveis'. O número de fiéis que participa dessa procissão cresce a cada ano. Ontem, apesar do forte sol, os organizadores calcularam um multidão de mais de 30 mil pessoas.
Dois trios elétricos animaram a procissão de Canudos. Num deles, agentes do Ministério de Música entoavam músicas sacras e exortavam os fiéis às orações do percurso. Frei Antônio, pelo menos por três vezes, levantou o hostensório para abençoar o povo. Muitos se ajoelhavam, nesses momentos, no asfalto quente. A procissão terminou por volta das 10 horas.
fonte: O liberal

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