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O almoço da fé e da confraternização
No Pará, Círio é sinônimo de confraternização. A festa, considerada o Natal dos Paraenses, tem como um dos grandes momentos o almoço do domingo de Círio. É quando as famílias fazem uma ceia especial para celebrar a fé em Nossa Senhora de Nazaré. Na mesa, pratos deliciosos, como o tradicional pato no tucupi e a exótica maniçoba. Comidas genuinamente paraenses, feitas com produtos da imensa floresta amazônica e usados pela culinária indígena. :: Maniçoba
- Ingredientes (para cerca de 30 pessoas): - Modo de fazer: Retire os talos da maniva e vá moendo. Coloque a maniva para ferver em fogo brando por 72 horas em panela grande com água. É necessário mexer de vez em quando, para que as folhas não grudem no panelão. Acrescente água quando achar necessário, contanto que a massa nunca fique seca.
Depois de 72 horas, coloque o toucinho (inteiro). Deixe ferver por mais um
dia, em fogo brando, sempre acrescentando água e dando no mínimo três boas
mexidas por período (manhã, tarde e noite). No quinto dia, é a vez do bucho, que entra na panela em pedaços. Antes, escalde bem o bucho. Corte as carnes salgadas, lave bem e afervente. Junte tudo e ponha no panelão para ferver, desligando o fogo quando for dormir. No sexto dia, corte o paio, o chouriço e a lingüiça em rodelas. Deixe ferver até o dia seguinte, quando a maniçoba estará pronta. O ponto pode ser dado pela cor que, de verde vivo passa a verde musgo quase preto. Agora é só servir com arroz branco e farinha de mandioca. :: Pato no Tucupi
O preparo do tucupi segue um ritual inspirado na tradição indígena. A mandioca é descascada e ralada e essa massa é depositada em um instrumento cilíndrico chamado tipiti, que fica pendurado para que todo o líquido escorra para um recipiente. O líquido esbranquiçado é colocado para descansar por mais ou menos um dia. A parte mais pesada da solução "senta" no fundo da panela. Em cima da massa branca resultante da fusão fica um "soro" amarelado que é fervido: eis o tucupi. A massa que fica ao fundo é retirada para fazer a tapioca. Mas e a massa que fica dentro do tipiti? Essa vira a farinha de mandioca, que com certeza também vai ajudar a compor o almoço do Círio. Um almoço onde também não pode faltar o jambu e a famosa pimenta de cheiro. Saiba como preparar a maniçoba e o pato no tucupi.
- Ingredientes: - Modo de fazer: Depois de abatido o pato, lave-o com limão e coloque-o em vinha d'alho por cerca de 3 horas. Depois, coloque-o para assar em forno quente. Em seguida, deixe esfriar e corte-o em pedaços.
A essa altura, o tucupi está fervendo com sal (a gosto), chicória, alfavaca,
dois dentes de alho e duas pimentas. Coloque os pedaços do pato para ferver
dentro do tucupi, até ficarem bem macios. O pato é servido no tucupi com arroz branco e farinha de mandioca.
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Santuário de Nazaré
O preparo dos
pratos requer cuidados especiais. A maniçoba, por exemplo, é feita a partir
da maniva (folha extraída da mandioca) moída, que passa cerca de sete dias
no fogo antes de chegar à mesa. É que a maniva possui o ácido cianídrico,
que se ingerido in natura pode levar à morte por intoxicação. A fervura
acontece até que a massa verde fique quase preta. Ela é temperada com quase
os mesmos ingredientes de uma feijoada completa.
O pato no tucupi
também tem suas peculiaridades. O tucupi é um caldo amarelo que também vem
da mandioca e por isso precisa ser cozido durante dias. Na verdade, o pato é
uma tradição do almoço do Círio, mas se as condições financeiras não forem
das mais favoráveis, vale o frango, o peru ou até mesmo o chester ao tucupi.
O importante mesmo é reunir a família para a confraternização. 
