A devoção mariana como caminho de esperança
Em meio às inquietações do mundo contemporâneo, a fé continua a apontar caminhos seguros para aqueles que buscam sentido e consolo.
20.04.2026 - 06:00:00 | 2 minutos de leitura

A devoção mariana se destaca como
uma expressão profunda de confiança e esperança em Deus, vivida à luz do
exemplo de Maria, Mãe de Jesus e nossa. Desde os primeiros séculos, a Igreja
reconhece em Maria um sinal de esperança para o povo de Deus. O Concílio
Vaticano II afirma que ela “brilha na Igreja como sinal de esperança segura
e de consolação para o povo peregrino” (Lumen Gentium, 68).
A afirmação citada anteriormente revela
que a devoção mariana não é apenas uma prática piedosa, mas uma experiência de
amor e fé que sustenta a caminhada dos fiéis, especialmente nos momentos de
dificuldade.
Quando se contempla a vida da
Virgem Maria, os devotos encontram um testemunho concreto de perseverança.
Maria soube confiar mesmo diante do desconhecido, como no anúncio do anjo (Cf.
Lc 1, 26-38), e permaneceu firme até os momentos mais dolorosos, aos pés da Cruz.
Essa fidelidade silenciosa inspira milhões de pessoas a manterem viva a
esperança, mesmo quando tudo parece incerto.
O Catecismo da Igreja Católica
(CIC) reforça essa dimensão ao apresentar Maria como modelo de fé: “A
Bem-aventurada Virgem avançou no caminho da fé e manteve fielmente a união com
seu Filho até a cruz” (CIC, 964). Nela, a Igreja reconhece aquela que
ensina a confiar em Deus acima de todas as circunstâncias.
A devoção mariana, expressa na
Ave-Maria, na oração do Terço, nas novenas e nas peregrinações, é um convite à
intimidade com Deus. Ao rezar com a Mãe de Nazaré, o devoto aprende a olhar a
própria vida com mais serenidade e confiança.
São João Paulo II, um dos grandes
“Mariólogos”, podemos escrever assim, destacou essa dimensão esperançosa ao
afirmar que Maria precede o povo de Deus no caminho da fé, sendo “Mãe da
esperança” (Redemptoris Mater). Nela, os fiéis encontram não apenas
intercessão, mas um exemplo concreto de como confiar plenamente na ação de
Deus.
Assim, recorrer a Maria não significa afastar-se de Cristo,
mas aproximar-se ainda mais dele, fonte última de toda esperança, pois, “Maria
nunca aponta para Si mesma, mas para Jesus" (Santa Missa na solenidade de Maria Santíssima Mãe de
Deus no 52º dia mundial da paz - Papa Francisco, 1° de janeiro de 2019).
Em um mundo marcado por incertezas, a devoção mariana continua sendo um refúgio espiritual e um impulso para seguir. Ao olhar para Maria, o devoto redescobre que a esperança não decepciona (tema do Ano Jubilar de 2025), pois está fundamentada na fidelidade de Deus.

Por Allan Bentes | Ascom Basílica Santuário de Nazaré.
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