Comunicação aos Fiéis Devotos e Devotas De Nossa Senhora de Nazaré
10.10.2026 - 14:52:00 | 4 minutos de leitura

Queridos devotos e devotas de
Nossa Senhora de Nazaré,
diante das inúmeras
solicitações recebidas pelo Reitor do Santuário e pelos Padres Barnabitas a
respeito das homenagens realizadas por instituições e famílias ao longo do
percurso das procissões da Trasladação e do Círio, sinto-me chamado a
dirigir-me a vocês para partilhar algumas considerações.
Na sua dimensão mais profunda,
o Círio de Nazaré é um patrimônio da Comunidade Cristã Católica. Um patrimônio
de fé e devoção dos fiéis católicos de Belém e do Pará, e que hoje toca o
Brasil inteiro. Um patrimônio que teve o seu início exato no ano de 1700, com o
achado da Imagem, pelo caboclo Plácido, enquanto que o Círio teve o seu início
em 1793, portanto já superados os dois (2) séculos de história de devoção e fé.
A construção deste Patrimônio
devocional e de fé do povo do Pará foi construída pela tenacidade dos devotos,
que não mediram esforços e sacrifícios, e pelo cuidado e zelo da Igreja de
Belém, por meio de seus pastores.
Cuidar deste Patrimônio foi,
ao longo do tempo, uma responsabilidade dos pastores e do clero de Belém e, a
partir de 1905, dos Clérigos Regulares de São Paulo – conhecidos por Padres
Barnabitas. Ao longo deste período foram efetuados diversos atos
purificatórios, tornando-o genuinamente um evento de fé católica, livre de
ingerência da política, da maçonaria e de crendices populares (sincretismo
religioso), a ponto de chegar à estatura daquilo que é hoje em termos de
devoção e fé mariana, que se celebra no 2º domingo de outubro, o Círio de
Nazaré.
Este patrimônio da Comunidade
Católica de Belém e do povo do Pará, sob a guia pastoral do Santuário Mariano
da Arquidiocese de Belém, começou a sofrer uma investida de diversos setores da
sociedade – instituições públicas e privadas, no início dos anos 2000, que de
princípio pareciam coisas agradáveis, denominadas de homenagens. As homenagens,
com o passar do tempo, foram aumentando e tomando dimensões sempre mais
invasoras e impositivas.
As homenagens começaram então
a interferir no sistema de som – as caixinhas de som – que cobriam todo o
percurso, que ia da Basílica Santuário de Nazaré até a Catedral da Sé, ora
cortando o cabeamento, ora furtando as referidas caixas de som, ato que não
sabemos quem são os autores. Os organizadores destas homenagens retinham que o
som emanado das ditas caixinhas interferia nas homenagens deles. Resultado:
todo o sistema de som organizado pelo Santuário de Nazaré e pela Diretoria da
festa de Nazaré foi alijado das grandes procissões: Trasladação e Círio. Tudo o
que se tem hoje é uma contínua balbúrdia provocada pelos organizadores das
ditas homenagens, com sons estridentes, música não condizente com a festa
religiosa e uma desorientação pesada para os devotos e romeiros.
A interferência das homenagens
tem causado um grande desorientamento na multidão dos fiéis, que se pergunta: o
que está acontecendo? Cadê o sistema de som que nos ajudava a rezar, refletir
sobre a Palavra de Deus, caminhar ora em direção à Catedral (trasladação), ora
em direção à Basílica Santuário? Por que os Padres Barnabitas não interferem
nesta situação? O que está faltando?
As homenagens estão causando
um grande dano e uma erosão que, se não forem contidas, deixarão suas marcas
irreversíveis neste grande Patrimônio da Comunidade Católica de Belém e do povo
do Pará. E diga-se, também, que até mesmo os títulos de Patrimônio Imaterial
concedidos pelo IPHAN e pela Unesco irão ficar apenas no papel, como lembranças
de um passado que não voltará.
Por fim, caríssimos Devotos e
Romeiros de Nossa Senhora de Nazaré, quero vos dizer que o controle destas
homenagens não depende da autoridade do Reitor deste Santuário e dos Barnabitas
que aqui trabalham. Não temos, como comunidade religiosa, a autoridade e o
poder de enfrentamento com as instituições e pessoas físicas que fazem estas
homenagens. Nutro uma grande esperança de que as autoridades e poderes
públicos, que nestes últimos tempos entraram em contato com o Reitor do
Santuário e com a Diretoria da Festa de Nazaré, demonstrando preocupação com as
mencionadas homenagens, possam finalmente tomar a defesa deste grande
patrimônio de fé da Comunidade Católica de Belém e do povo do Pará,
disciplinando, coibindo e corrigindo os abusos das homenagens, da poluição
sonora e de enredos musicais não condizentes com o Círio de Nazaré.
Certo da compreensão e da
ajuda de todos, para juntos vencermos este desafio e resgatarmos o verdadeiro
espírito do Círio na sua dimensão mais profunda de fé e devoção a Nossa Senhora
de Nazaré e a seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador. Por Maria a Jesus.
Pe. Francisco
Chagas Santos da Silva, B.
Reitor da
Santuário de Nossa Senhora de Nazaré
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