Da República Democrática do Congo ao Brasil: Relato de uma imersão espiritual e cultural no Círio de Nazaré
22.10.2026 - 12:13:00 | 8 minutos de leitura

Archange BILOKO, Noviço barnabita
Responder ao chamado do Senhor às vezes exige deixar tudo para trás e
permitir-se ser guiado a terras desconhecidas e distantes. Foi assim que,
enviados pelos superiores de nossa Congregação, meus confrades e eu deixamos as
terras vibrantes de nossa pátria, a República Democrática do Congo, rumo aos
horizontes do Brasil para dar continuidade à nossa formação.
Enquanto preparávamos essa grande viagem, os ecos de um evento de fé
prodigioso já chegavam até nós: o Círio de Nazaré. Essa celebração reúne, a
cada mês de outubro, milhões de peregrinos vindos de todos os lugares. Assim,
nasceu em mim o desejo ardente de descobrir esse mistério.
Poucos
dias após nossa chegada ao Estado do Pará, partindo do nosso seminário em
Benevides, meus companheiros e eu fomos levados a Belém para visitar o museu da
Basílica Nossa Senhora de Nazaré — um santuário indissociável da história da
missão de nossa Ordem no Pará. Lá, graças ao relato de uma guia e aos recursos
tecnológicos, mergulhei na história do Círio e fiquei impressionado com as
imagens impactantes da multidão imensa em procissão na edição anterior. No
entanto, ver não é viver. Por mais marcante que tenha sido, essa imersão
virtual deixava da realidade apenas um reflexo distante. Minha mente já
compreendia a magnitude do Círio, mas meu coração ainda esperava pelo encontro.
Até então, minha experiência permanecia abstrata e incompleta.
1.
Da virtualidade à participação ativa
Tudo mudou quando mergulhei no fervor da procissão da Transladação, na
noite de sábado, que liga o Colégio Gentil Bittencourt à Catedral de Belém.
Dessa vez, eu não olhava mais através de uma tela: eu estava ali, no meio
daquele rio humano. Minha participação física e ativa nessa 234ª edição
transformou-me profundamente.
Fazer parte de uma das maiores manifestações católicas do mundo
permitiu-me admirar de perto a ação pastoral e missionária de nossa Congregação
no coração da Igreja local. Mas, além disso, contemplei a expressão vibrante de
uma fé onde cada vida, cada destino, cada lágrima e cada sorriso são confiados
à Divina Providência por intercessão da Nazinha.
2.
O eco missionário do tema escolhido
Ao caminhar pelo pátio da Basílica, meus olhos se voltaram para o cartaz
oficial do Círio, que apresentava o tema desta edição: "Maria, Missionária
que nos dá Jesus". Ao primeiro contato, devo confessar, essa frase me
pareceu externa, quase distante. No entanto, tudo mudou na noite de
sexta-feira, durante a missa solene de apresentação do Manto. Ao ouvir a
homilia do nosso arcebispo, fui tocado pela profundidade desse tema, a ponto de
enxergar nele todo o programa missionário da Igreja, do qual a Virgem Maria é o
modelo por excelência: após a Visitação, ela não guardou Jesus para si. Ela
pôs-se a caminho apressadamente para levá-lo a Isabel e, consequentemente, ao
mundo.
Esse é exatamente o cerne do eco missionário que percebi através das
homilias: Maria não reúne mais de dois milhões de pessoas para si mesma. Ela as
reúne para conduzi-las ao seu Filho. Assim, por meio de seu tema, o Círio foi
para mim uma escola missionária a céu aberto que encontrou em mim uma
ressonância muito especial: minha devoção mariana não deve parar em Maria. É
uma devoção que, através dela, deve me levar a conhecer melhor, amar e levar
Jesus ao mundo.
3.
A apresentação do Manto
As luzes da majestosa Basílica de Nazaré haviam acabado de se apagar. Na
escuridão, apenas um feixe de luz iluminava a Imagem Peregrina para torná-la
plenamente visível. Revestida com seu novo e radiante manto, a imagem avançava
pela nave central. Ao meu redor, entre sorrisos e lágrimas, os peregrinos a
aplaudiam com fervor.
Quando a imagem se aproximou, fui tocado pelo sentido profundo da frase
que o arcebispo acabara de pronunciar: "Nós revestimos Nossa Senhora
com um manto, mas é ela quem nos reveste de Cristo". A partir daquele
momento, aquela vestimenta deixou de ser um mero adorno artístico. Tornou-se o
símbolo visível da proteção invisível com que a Virgem Maria me envolve em cada
instante da minha vida.
4.
A procissão e a experiência inesquecível da Corda
Além das minhas primeiras impressões no santuário, foi no dia seguinte,
no coração da rua, que minha experiência se enriqueceu. Após a missa celebrada
nas dependências do Colégio, iniciamos a procissão até a Catedral de Belém. Em
uma Berlinda resplandecente e ornamentada de flores, a imagem peregrina de
Nossa Senhora avançava lentamente no meio da multidão, embalada por aplausos,
cantos e pela beleza espetacular dos fogos de artifício. Dos edifícios, escolas
e empresas, todos saudavam a Virgem, enquanto corais se posicionavam ao longo
das ruas para animar a caminhada dos fiéis. Por toda parte ecoava o mesmo
clamor: "Viva Nossa Senhora de Nazaré!".
O que mais me marcou foi a imensidão da multidão que se agarrava Corda.
Esse elo físico de fé unia os peregrinos à Berlinda de Nossa Senhora, cujo o
sentido me foi ensinado: ela e considerado como um cordão umbilical que uma os
filhos à Mãe. Deslumbrado com aquele espetáculo, eu o contemplava com certa
timidez: tudo era novo para mim e eu vivia um grande choque cultural, emocional
e espiritual.
Foi então que me encorajei a aproximar-me de um membro da Guarda de
Nazaré para lhe confiar o meu desejo de tocar na corda, a fim de selar a minha
participação no Círio. Compreendendo a minha
intenção e vendo a minha condição de estrangeiro,
ele abriu caminho para mim com um grande sorriso. Assim, agarrei-me àquela
corda sagrada, entregando todas as minhas forças até a exaustão.
Para mim, esse gesto não foi um simples esforço físico: foi um ato de
adoção espiritual e cultural. Ao colocar minhas mãos ali, o Círio deixou de ser
uma tradição distante, alheia às minhas raízes africanas. Tornou-se o lugar
onde minha fé se encarna na devoção do povo que me acolhe. Esse gesto lançou
uma ponte entre a minha vida de cristão congolês e a alma dos paraenses. Foi
uma comunhão espiritual e cultural profunda com todo um povo em oração, unido
sob o olhar materno de Maria.
5.
As palavras de um peregrino: o rosto de uma Igreja sem
fronteiras
Apesar do barulho ensurdecedor dos gritos de alegria e dos cantos, um
dialogue se estabeleceu entre um peregrino e mim. Esse homem, ainda forte
apesar da idade, compartilhou comigo, emocionado, a sua trajetória de vida,
testemunhando as inúmeras graças recebidas ao longo dos anos por intercessão da
Nazinha. Ao encerrarmos nossa conversa, ele apertou minha mão, olhou bem nos
meus olhos e disse: "Sinta-se em casa, meu filho. A Igreja é a mesma em
toda parte, e Nossa Senhora é a mãe de todos nós".
Um pouco mais tarde, nossos caminhos se cruzaram
novamente. Ele me entregou dois copos de água que estava distribuindo,
deixando-me este conselho cheio de humanidade: "Quando a água passar,
pegue sempre. Com esse calor, você pode se desidratar rápido".
Através
desse encontro, vivenciei a universalidade da Igreja além de todas as
barreiras: uma fé profundamente hospitaleira, que acolhe o outro
espontaneamente e sem questionamentos.
6.
Quando o
Estado trabalha pela fé dos cidadãos
Durante todas as atividades do Círio, um detalhe me chamou a atenção: a presença
reconfortante e dedicada dos serviços de proteção civil. Militares, policiais,
bombeiros, socorristas da Cruz Vermelha e agentes públicos trabalhavam lado a
lado para garantir a segurança e o bem-estar dessa multidão de peregrinos.
Ver as instituições públicas se colocarem assim a serviço de um evento
religioso, não para limitá-lo, mas para acompanhar a fé do povo com respeito,
demonstra uma harmonia notável. Essa logística impressionante mostra o quanto o
Círio supera o âmbito eclesial para se tornar um evento de interesse público,
onde a proteção do cidadão se une à celebração de sua fé.
Conclusão
Longe de ser uma simples descoberta cultural, minha imersão no coração
do Círio de Nazaré foi uma verdadeira graça especial, permitindo-me comungar
profundamente com a fé vibrante do povo da Amazônia brasileira. Ao deixar a
República Democrática do Congo para atender ao chamado do Senhor, eu sabia que
estava respondendo a uma exigência da vocação, mas ainda ignorava o quanto sua
solicitude paterna se manifestaria de forma tão radiante por meio da minha
participação no Círio.
Fosse pelo sentimento que tive durante a apresentação do Manto, pelo meu
encantamento ao contemplar uma multidão imensa em oração, pelo esforço
compartilhado na corda da Transladação ou ainda pelo rosto fraterno de um
peregrino cruzado no caminho, cada instante apagou as distâncias geográficas e
culturais. A experiência me revelou uma certeza essencial: apesar dos nossos
horizontes culturais, pertencemos a uma Igreja universal e sem fronteiras,
capaz de se encarnar plenamente na alma de cada povo. E, sob a proteção materna
da Nazinha, formamos uma só e única família espiritual em Cristo.
É fortalecido por essa experiência marcante que prossigo com meu curso
de formação religiosa. Com o coração renovado pelo impulso missionário do tema
do Círio 2026, sigo adiante com a convicção de que este evento ultrapassa a
mera tradição: ele constitui a base identitária de um povo que exterioriza sua
fé, seu amor por Deus e por sua Santa Mãe, a Virgem Maria.
Archange BILOKO, Noviço barnabita
Responder ao chamado do Senhor às vezes exige deixar tudo para trás e
permitir-se ser guiado a terras desconhecidas e distantes. Foi assim que,
enviados pelos superiores de nossa Congregação, meus confrades e eu deixamos as
terras vibrantes de nossa pátria, a República Democrática do Congo, rumo aos
horizontes do Brasil para dar continuidade à nossa formação.
Enquanto preparávamos essa grande viagem, os ecos de um evento de fé
prodigioso já chegavam até nós: o Círio de Nazaré. Essa celebração reúne, a
cada mês de outubro, milhões de peregrinos vindos de todos os lugares. Assim,
nasceu em mim o desejo ardente de descobrir esse mistério.
Poucos dias após nossa chegada ao Estado do Pará, partindo do nosso seminário em Benevides, meus companheiros e eu fomos levados a Belém para visitar o museu da Basílica Nossa Senhora de Nazaré — um santuário indissociável da história da missão de nossa Ordem no Pará. Lá, graças ao relato de uma guia e aos recursos tecnológicos, mergulhei na história do Círio e fiquei impressionado com as imagens impactantes da multidão imensa em procissão na edição anterior. No entanto, ver não é viver. Por mais marcante que tenha sido, essa imersão virtual deixava da realidade apenas um reflexo distante. Minha mente já compreendia a magnitude do Círio, mas meu coração ainda esperava pelo encontro. Até então, minha experiência permanecia abstrata e incompleta.
1.
Da virtualidade à participação ativa
Tudo mudou quando mergulhei no fervor da procissão da Transladação, na
noite de sábado, que liga o Colégio Gentil Bittencourt à Catedral de Belém.
Dessa vez, eu não olhava mais através de uma tela: eu estava ali, no meio
daquele rio humano. Minha participação física e ativa nessa 234ª edição
transformou-me profundamente.
Fazer parte de uma das maiores manifestações católicas do mundo
permitiu-me admirar de perto a ação pastoral e missionária de nossa Congregação
no coração da Igreja local. Mas, além disso, contemplei a expressão vibrante de
uma fé onde cada vida, cada destino, cada lágrima e cada sorriso são confiados
à Divina Providência por intercessão da Nazinha.
2.
O eco missionário do tema escolhido
Ao caminhar pelo pátio da Basílica, meus olhos se voltaram para o cartaz
oficial do Círio, que apresentava o tema desta edição: "Maria, Missionária
que nos dá Jesus". Ao primeiro contato, devo confessar, essa frase me
pareceu externa, quase distante. No entanto, tudo mudou na noite de
sexta-feira, durante a missa solene de apresentação do Manto. Ao ouvir a
homilia do nosso arcebispo, fui tocado pela profundidade desse tema, a ponto de
enxergar nele todo o programa missionário da Igreja, do qual a Virgem Maria é o
modelo por excelência: após a Visitação, ela não guardou Jesus para si. Ela
pôs-se a caminho apressadamente para levá-lo a Isabel e, consequentemente, ao
mundo.
Esse é exatamente o cerne do eco missionário que percebi através das
homilias: Maria não reúne mais de dois milhões de pessoas para si mesma. Ela as
reúne para conduzi-las ao seu Filho. Assim, por meio de seu tema, o Círio foi
para mim uma escola missionária a céu aberto que encontrou em mim uma
ressonância muito especial: minha devoção mariana não deve parar em Maria. É
uma devoção que, através dela, deve me levar a conhecer melhor, amar e levar
Jesus ao mundo.
3.
A apresentação do Manto
As luzes da majestosa Basílica de Nazaré haviam acabado de se apagar. Na
escuridão, apenas um feixe de luz iluminava a Imagem Peregrina para torná-la
plenamente visível. Revestida com seu novo e radiante manto, a imagem avançava
pela nave central. Ao meu redor, entre sorrisos e lágrimas, os peregrinos a
aplaudiam com fervor.
Quando a imagem se aproximou, fui tocado pelo sentido profundo da frase
que o arcebispo acabara de pronunciar: "Nós revestimos Nossa Senhora
com um manto, mas é ela quem nos reveste de Cristo". A partir daquele
momento, aquela vestimenta deixou de ser um mero adorno artístico. Tornou-se o
símbolo visível da proteção invisível com que a Virgem Maria me envolve em cada
instante da minha vida.
4.
A procissão e a experiência inesquecível da Corda
Além das minhas primeiras impressões no santuário, foi no dia seguinte,
no coração da rua, que minha experiência se enriqueceu. Após a missa celebrada
nas dependências do Colégio, iniciamos a procissão até a Catedral de Belém. Em
uma Berlinda resplandecente e ornamentada de flores, a imagem peregrina de
Nossa Senhora avançava lentamente no meio da multidão, embalada por aplausos,
cantos e pela beleza espetacular dos fogos de artifício. Dos edifícios, escolas
e empresas, todos saudavam a Virgem, enquanto corais se posicionavam ao longo
das ruas para animar a caminhada dos fiéis. Por toda parte ecoava o mesmo
clamor: "Viva Nossa Senhora de Nazaré!".
O que mais me marcou foi a imensidão da multidão que se agarrava Corda.
Esse elo físico de fé unia os peregrinos à Berlinda de Nossa Senhora, cujo o
sentido me foi ensinado: ela e considerado como um cordão umbilical que uma os
filhos à Mãe. Deslumbrado com aquele espetáculo, eu o contemplava com certa
timidez: tudo era novo para mim e eu vivia um grande choque cultural, emocional
e espiritual.
Foi então que me encorajei a aproximar-me de um membro da Guarda de
Nazaré para lhe confiar o meu desejo de tocar na corda, a fim de selar a minha
participação no Círio. Compreendendo a minha
intenção e vendo a minha condição de estrangeiro,
ele abriu caminho para mim com um grande sorriso. Assim, agarrei-me àquela
corda sagrada, entregando todas as minhas forças até a exaustão.
Para mim, esse gesto não foi um simples esforço físico: foi um ato de
adoção espiritual e cultural. Ao colocar minhas mãos ali, o Círio deixou de ser
uma tradição distante, alheia às minhas raízes africanas. Tornou-se o lugar
onde minha fé se encarna na devoção do povo que me acolhe. Esse gesto lançou
uma ponte entre a minha vida de cristão congolês e a alma dos paraenses. Foi
uma comunhão espiritual e cultural profunda com todo um povo em oração, unido
sob o olhar materno de Maria.
5.
As palavras de um peregrino: o rosto de uma Igreja sem
fronteiras
Apesar do barulho ensurdecedor dos gritos de alegria e dos cantos, um
dialogue se estabeleceu entre um peregrino e mim. Esse homem, ainda forte
apesar da idade, compartilhou comigo, emocionado, a sua trajetória de vida,
testemunhando as inúmeras graças recebidas ao longo dos anos por intercessão da
Nazinha. Ao encerrarmos nossa conversa, ele apertou minha mão, olhou bem nos
meus olhos e disse: "Sinta-se em casa, meu filho. A Igreja é a mesma em
toda parte, e Nossa Senhora é a mãe de todos nós".
Um pouco mais tarde, nossos caminhos se cruzaram
novamente. Ele me entregou dois copos de água que estava distribuindo,
deixando-me este conselho cheio de humanidade: "Quando a água passar,
pegue sempre. Com esse calor, você pode se desidratar rápido".
Através
desse encontro, vivenciei a universalidade da Igreja além de todas as
barreiras: uma fé profundamente hospitaleira, que acolhe o outro
espontaneamente e sem questionamentos.
6.
Quando o
Estado trabalha pela fé dos cidadãos
Durante todas as atividades do Círio, um detalhe me chamou a atenção: a presença
reconfortante e dedicada dos serviços de proteção civil. Militares, policiais,
bombeiros, socorristas da Cruz Vermelha e agentes públicos trabalhavam lado a
lado para garantir a segurança e o bem-estar dessa multidão de peregrinos.
Ver as instituições públicas se colocarem assim a serviço de um evento
religioso, não para limitá-lo, mas para acompanhar a fé do povo com respeito,
demonstra uma harmonia notável. Essa logística impressionante mostra o quanto o
Círio supera o âmbito eclesial para se tornar um evento de interesse público,
onde a proteção do cidadão se une à celebração de sua fé.
Conclusão
Longe de ser uma simples descoberta cultural, minha imersão no coração
do Círio de Nazaré foi uma verdadeira graça especial, permitindo-me comungar
profundamente com a fé vibrante do povo da Amazônia brasileira. Ao deixar a
República Democrática do Congo para atender ao chamado do Senhor, eu sabia que
estava respondendo a uma exigência da vocação, mas ainda ignorava o quanto sua
solicitude paterna se manifestaria de forma tão radiante por meio da minha
participação no Círio.
Fosse pelo sentimento que tive durante a apresentação do Manto, pelo meu
encantamento ao contemplar uma multidão imensa em oração, pelo esforço
compartilhado na corda da Transladação ou ainda pelo rosto fraterno de um
peregrino cruzado no caminho, cada instante apagou as distâncias geográficas e
culturais. A experiência me revelou uma certeza essencial: apesar dos nossos
horizontes culturais, pertencemos a uma Igreja universal e sem fronteiras,
capaz de se encarnar plenamente na alma de cada povo. E, sob a proteção materna
da Nazinha, formamos uma só e única família espiritual em Cristo.
É fortalecido por essa experiência marcante que prossigo com meu curso
de formação religiosa. Com o coração renovado pelo impulso missionário do tema
do Círio 2026, sigo adiante com a convicção de que este evento ultrapassa a
mera tradição: ele constitui a base identitária de um povo que exterioriza sua
fé, seu amor por Deus e por sua Santa Mãe, a Virgem Maria.
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