Dia Mundial da Fotografia: A Fé eternizada pelos cliques de quem vive o Círio
“A fotografia é a memória de todos nós. É através dela que o mundo nos vê” (Sebastião Salgado)
19.08.2025 - 07:00:00 | 5 minutos de leitura
No dia 19 de agosto é comemorado
o dia do qual muitas pessoas gostam de fazer diariamente: tirar “retratos” dos
momentos que a vida proporciona. Mas, qual a relação do Círio de Nazaré, uma
das maiores festas religiosas do mundo, com este hábito, podemos dizer assim, sendo
tão comum entre as pessoas? A resposta: A fé.
Profissionais de imprensa do
mundo todo viajam até Belém do Pará, no mês de outubro, para cobrir o Círio,
trazendo para os espectadores uma expressão viva e marcante dos principais
momentos da procissão por meio do Rádio, TV, Internet, Jornal ou pela fotografia,
nosso elemento central. Imagine você, caro leitor, o trabalho árduo que é
registrar uma procissão com quase três milhões de pessoas em uma única manhã.
Estar atento aos fatos mais
importantes – e nos detalhes, que podem acontecer somente uma única vez, em
fração de segundos – requer um esforço físico e mental quase sobre-humano; e isso
sem contar as noites sem dormir no fim de semana que antecede o Círio, e as 14
romarias que compõem a festividade da Rainha da Amazônia.

Registrar essa “piracema da fé na
rua que é rio!”, como diz o poeta paraense João de Jesus Paes Loureiro em seu
poema “O Círio”, é captar a fé de um povo em sua total essência, entrelaçada nas
cores e na devoção que o momento proporciona. A câmera, nesse instante,
torna-se extensão da alma do fotógrafo: que não somente vê, mas partilha e
reverencia à Mãe de Nazaré por meio das imagens.
E para celebrarmos essa data,
convidamos o fotógrafo Fernando Sette, que eterniza o Círio por meio de suas
lentes há vários anos, para falar um pouco sobre esta arte de fotografar, sua
trajetória e os sentimentos que o envolvem quando se fala de Círio.
Ficou curioso (a)? Então, confira
tudo isso e muito mais ao longo desta matéria.

(Fernando Sette no Círio 2024)
1.
Fernando, já
registrastes inúmeras edições do Círio de
Nazaré. Como começou essa trajetória de fotógrafo da maior manifestação religiosa do Pará?
FS: “Desde criança acompanho o
Círio. Já fui na corda duas vezes e minha fé em Nossa Senhora sempre foi
grande. Lembro que, logo que comecei a fotografar com câmera profissional, já
fui direto para o Círio. A primeira procissão que fiz de longe; foi a Trasladação.
Fiquei aguardando a Santinha passar na frente do Manoel Pinto, mas no outro dia
já fui direto para o Círio. Foi uma emoção atras da outra.”
2.
O que mais toca o teu olhar ao fotografar o povo
durante as Romarias?
FS: “A fé, a entrega, o respeito.
É emocionante ver o quanto as pessoas se esticam para se sentir abençoadas por
Nossa Senhora. E o quanto o Círio transforma todos que estão acompanhando-o.
Quer sejam pessoas com fé ou não, a energia do Círio é única. E para mim tem
que ser preservada pura e bela como sempre foi.”
3.
A fotografia tem o poder de eternizar momentos. Como
é, para ti, eternizar o Círio?
FS: “Nossa... Tenho um pacto com
a Santinha. Tento sempre mostrar ela e o povo dela da melhor maneira que posso.
Todo ano espero ela me dizer o que vou fotografar. Se serão mais os pés e mãos,
se será mais a emoção, os anjinhos, a corda. Logo no começo já entendo o que
vai ser o foco do Círio daquele ano. Ela sempre me ajuda a escolher.”
4.
Há alguma
foto que você considera inesquecível, que resume esse espírito
que o Círio carrega? Poderia nos contar o
contexto por trás dela?
FS: “Uma que fotografei uma
menina andando ao lado do tio, vestida de Nossa Senhora enquanto o tio paga a
promessa. Essa foto foi forte para mim que foi no meio da pandemia e era uma
época escura demais e, no meio da escuridão, ví a santinha em forma de criança
andando próximo ao Ver-o-Peso.”
5.
Os devotos querem saber: Quais os maiores desafios
que tu enfrentas na cobertura do Círio?
Tanto tecnicamente quanto emocional.
FS: “Emocionalmente para mim o
Círio é um encontro com meu pai que a covid-19 levou. Ele sempre ia comigo ao
Círio e sempre vai estar ao meu lado. Peço a benção dele e da Santinha em cada
novo Círio. Tecnicamente o difícil é você estar atento a todos os lados. O
Círio é um mundo inteiro em uma procissão, pois tudo é lindo de se ver em todos
os lados. Basta enxergar.”
8.
Tu, que acompanhas há
bastante tempo os festejos em honra à
Virgem de Nazaré, quais foram as principais mudanças ou detalhes que te emocionou?
“Para mim, cada homenagem nova é
uma alegria de se ver e sentir a emoção do povo ao nosso redor.”
“9.
O Dia Mundial da Fotografia é o momento de celebrar a arte de eternizar os grandes momentos
da vida. Que mensagem você deixa para
novos fotógrafos que desejam registrar a fé?
Respeite. Respeite todos ao redor. Sinta a emoção ao seu redor que isso vai te ajudar a enxergar a beleza que tem na sua frente, e olhe para todos os lados, sempre. Você vai ver que mesmo em uma rua ao lado da procissão tem coisas lindas para serem mostradas.”
Texto: Allan Bentes – ASCOM
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