Dom Eliseu Maria Coroli: Barnabita, Missionário, Feliz
Nascido há 126 anos, seu legado como fervoroso missionário continua vivo.
07.02.2026 - 06:00:00 | 5 minutos de leitura

Neste dia 7 de fevereiro,
celebramos com muita alegria a memória do Servo de Deus Dom Eliseu Maria
Coroli, religioso dos Clérigos Regulares de São Paulo (CRSP), que nasceu há 126
anos, estando no meio do Povo de Deus transformando vidas por meio
da Missão Evangelizadora que Deus lhe destinara como sacerdote, principalmente,
em terras amazônicas.
Acompanhe esta leitura que transcorrerá por momentos que se misturam com a história de desenvolvimento do estado do Pará, pois as obras que este Servo de Deus trouxe para a população permanecem até hoje, como legado e história de um homem que, mediante as dificuldades, não se deixou abalar e sempre carregou um sorriso, tornando-o “feliz missionário da Amazônia”.
O início
Eliseu Ferdinando Coroli nasceu
na província de Castelnuovo, Piacenza (ITA), em 9 de fevereiro de 1900. De
família humilde, quinto filho do casal de camponeses Anacleto Ludovico Coroli e
Maria Molinari, começou a trabalhar desde cedo no campo para auxiliar no
sustento da família. Para conseguir conciliar trabalho e estudos, caminhava
quilômetros até a escola da localidade. Eliseu cresceu num ambiente sadio, onde
o trabalho, respeito mútuo e a oração eram os pilares da vida
familiar.

Aos seis anos, Eliseu tinha um
questionamento particular que o inquietava: o que seria a verdadeira felicidade?
Sua mãe, de forma profunda e serena, o respondeu: “Meu filho, se você quer ser
feliz, seja Sacerdote e Missionário”. A resposta seria a semente plantada por
Deus no coração do pequeno Eliseu.
Eliseu ingressou na Escola
Apostólica São Bartolomeu dos Armânios em 11 de novembro de 1911, localizada em
Gênova (ITA), onde realizou seus estudos religiosos e cursou o Ginásio (ensino
fundamental do sexto ao nono ano) no Colégio Vittorino de Feltre – ambos
pertencentes aos Padres Barnabitas - dedicando-se aos estudos, aos esportes e à
oração.
Em 22 de novembro de 1917, aos 17
anos, realizou sua Profissão Solene, ingressando como um Religioso Barnabita.
Passado o período de intensos estudos nos cursos de Teologia e Filosofia, no
dia 15 de março de 1924, em Roma (ITA), foi ordenado Sacerdote.
Missão no Brasil – sua segunda
pátria
Logo após sua ordenação, seus
superiores o destinaram para o Colégio Zacaria, na cidade do Rio de Janeiro,
então capital do Brasil. Padre Eliseu desembarcou no Porto de Santos no dia 22
de dezembro de 1924, chegando ao colégio dois dias depois. No Rio, permaneceu
como Vigário Coadjutor na Paróquia de Nossa Senhora de Loreto, no bairro de
Jacarepaguá, subúrbio da cidade.
Após cinco anos no Rio e com a
criação da Prelazia de Nossa Senhora da Conceição do Gurupi, em 14 de abril de
1928, pela Bula Romanus Pontifex, do Papa Pio XI, sendo desmembrada da
Arquidiocese de Belém e estando sob a administração dos Padres Barnabitas, o Padre
Eliseu foi destinado para a região amazônica.

Interinamente, até a sua chegada
ao território da recém-organizada prelazia, o então Arcebispo de Belém, Dom
Irineu Jofylli, assume a administração da nova área de evangelização. Daí em
diante, Padre Eliseu Maria Coroli chega ao Pará em 22 de dezembro de 1929.
Padre Eliseu notou as dificuldades que havia na região, dentre elas o analfabetismo, a ignorância religiosa, a dispersão da população e a falta de catequistas, fatores que o levaram a iniciar um intenso trabalho missionário.
Obras Missionárias – o Passado presente no futuro.
Sua incansável atividade
sacerdotal durou por 16 anos, deixando como legado a recordação de um religioso
incansável, fervoroso, humilde e muito sorridente. Em 1938, Padre Eliseu foi
eleito Administrador Apostólico da Prelazia e, em 13 de agosto de 1940, foi
ordenado Bispo da Prelazia do Guamá, iniciando sua maior missão.
Por meio de seu vigor e energia,
Dom Eliseu fundou a Escola Normal Santa Teresinha em 23 de novembro de 1938, a
primeira do interior do Pará e a terceira do estado (havia em Belém e Santarém,
apenas), atual Instituto Santa Teresinha (IST).
Em 19 de março de 1955, após
longo processo de regularização, Dom Eliseu fundou a Maternidade Nossa Senhora
da Divina Providência e o Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria, atualmente
pertencente à Diocese de Bragança e Missionárias de Santa Terezinha.
Em 12 de novembro de 1960, Dom
Eliseu e o Padre Miguel Maria Giambelli (CRSP) – nomeado bispo da Diocese em
1980 - fundaram a Rádio Educadora de Bragança, com o objetivo de promover para
o povo bragantino uma programação que enaltecesse a educação, cultura e
evangelização.
Em 20 de maio de 1962, auxiliado
por seu irmão, Padre Paolo Coroli, fundou o Seminário Santo Alexandre Sauli, destinado
para a formação dos futuros padres. Além disso, Dom Eliseu também fundou a
Congregação das Irmãs Missionárias de Santa Teresinha (IST) em 25 de março de
1954, para colaborar com os padres na assistência religiosa, médica e na educação.

Após uma longa trajetória
missionária, Dom Eliseu realizou sua Páscoa Eterna, falecendo no dia 29 de
julho de 1982, em Belém, após vários dias internado por conta de complicações
de saúde devido à sua idade avançada.
Atualmente, Dom Eliseu está em processo de Beatificação - reconhecimento oficial da Igreja de que uma pessoa falecida viveu em virtude heroica, alcançou a felicidade no céu e pode ser venerada, sendo um passo crucial e preparatório para a canonização (tornar-se santo). Suas obras são lembradas pelo povo, principalmente da cidade de Bragança (PA), onde a sua missão se misturou com o desenvolvimento urbano, social e econômico da região que a Diocese abrange.
Neste abençoado dia, celebre com fé e, principalmente, alegria, a memória deste servo, mandado por Deus para levar ao próximo o Evangelho, por meio de obras e um simples e autêntico sorriso. Reze um Pai-Nosso e uma Ave-Maria para Dom Eliseu, o “Feliz Missionário da Amazônia”

“O amor transforme todos os meus nadas, a cada instante, em louvores infinitos” (Dom Eliseu Maria Coroli)
Por Allan Bentes – Ascom Basílica Santuário de Nazaré
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