Maria, fonte de amor e fé na Amazônia - a realização do primeiro Círio.
Conheça um pouco da história da primeira edição de uma das maiores procissões da Igreja Católica.
08.09.2026 - 06:00:00 | 3 minutos de leitura

A devoção por Nossa Senhora de
Nazaré remonta por tempos longínquos, onde existia uma pequena Belém com ares
de interior – diferente desta grande metrópole que é hoje, mesmo minúscula
perto dos grandes centros do sul e sudeste – dentro de um Brasil Colônia, ainda
se desenvolvendo. Contudo, um acontecimento ocorreria no início do século XVII
que mudaria os rumos da devoção: o achado da Imagem às margens do Igarapé
Murutucu, pelo ribeirinho Plácido José de Souza.
Este fato, ocorrido por volta do
ano de 1700 e, a data estimada pelos pesquisadores seria pelo final do mês de
outubro – olha esta benção, Maria escolheu este mês para os povos da Amazônia -
a pequena escultura de madeira retornou milagrosamente ao local original de
onde foi retirada por várias vezes, o que motivou a construção de uma capela e
deu-se início à devoção Mariana.

Passaram-se os anos e, em 1792, o
então capitão geral do Rio Negro e Grão-Pará, Francisco de Souza Coutinho,
visitou o arraial no mês de outubro e ficou impressionado com a movimentação
dos devotos e também aderiu à devoção, resolvendo dar maior importância ao
local, atraindo para Belém a atenção de toda a Província.
Foram três meses de intensa
preparação, mas, no final do mês de junho, o capitão adoeceu e ficou receoso de
não poder inaugurar a feira, prometendo que se ficasse curado mandaria buscar a
imagem de Nossa Senhora de Nazaré ao Palácio e na capela seria celebrada uma
missa, presidida pelo capelão Padre José Ruiz de Moura e em seguida levaria a
imagem em um palanquim até a ermida, acompanhada pelo povo.
Maria, mãe inefável e que nos dá
Jesus, intercedeu por este seu filho e a graça foi alcançada e o capitão cumpriu
sua promessa, ordenando a celebração da missa e a realização de uma grande
procissão e, no dia 8 de setembro de 1793, o primeiro Círio de Nazaré era
registrado pela história.
A partir daí, a história é contada até hoje com elementos de fé que Deus semeou no peito de cada filho de Maria, os exemplos são a inserção da Corda em 1855, logo após uma forte enchente ocasionada pela Baía do Guajará, o que fez atolar a Berlinda que era puxada por animais, sendo inserida oficialmente em 1885, e a mudança no formato da Corda em 2004, deixando o formato de “U”, passando a ser linear e dividida em cinco estações de duralumínio, inspirada nos mistérios do Rosário.

Esta devoção é uma das mais antigas do Brasil – até mesmo a de Aparecida, com os relatos do achado realizado em 1717 – onde Maria, fonte de amor e de fé, escolheu junto com o Seu Filho a Amazônia para desaguar bençãos em seu povo, tal como o Rio Amazonas quando joga suas águas para o mar, com a mesma força e intensidade, quiçá até mais pois, para Deus, "todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor." (Dt 28, 2)
Por Allan Bentes | Ascom Basílica Santuário de Nazaré.
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